Como descobrir minha missão nesta vida?




“Quando você fala sobre abraçar a sombra, retrata bastante alguns aspectos da minha vida. Resumidamente, tenho 48 anos e sinto-me amarrado e vendado em relação ao futuro. Uma vez você disse que ‘todo ansioso acaba se transformando em um depressivo’, e isso me deixou preocupado. Te pergunto, como posso me libertar e descobrir minha missão nesta vida?”.

Antes de mais nada, saiba que 75% da resposta que você espera já está em sua própria pergunta. Todos os elementos para perceber o que está atravancando seu desenvolvimento estão em suas próprias palavras: você se acha velho, preocupa-se demais com o futuro e sabe que vem fugindo de aspectos de si mesmo que não te agradam. Eu garanto que se você se dedicasse a trabalhar estas questões já seria meio caminho andado, porque existem tantos aspectos seus que estão sendo segregados e tanta energia vem sendo investida neste processo de fuga de si mesmo que, realmente, sobra pouco espaço para que visões criativas a respeito de sua vida possam acontecer.

Mas você fala sobre missão, e quando pensamos em missão sempre imaginamos coisas grandiosas – salvar os esfomeados africanos, descobrir a cura para o câncer, acabar com o problema ambiental no mundo. O que você diria se eu te garantisse que, em última análise, a missão de todos nós é apenas ser feliz? Sentir-se contente? Ser quem você é – e esta pode ser a mais desafiadora de todas. Ser, apenas e tão somente, quem você é. Mas veja bem, quando digo quem você é não estou falando da parte que você acha “bonitinha” de mostrar ao mundo. Estou falando: seja quem você é por inteiro. Pare de se dividir entre luz e sombra, simplesmente seja quem você é. Assuma tudo aquilo que você considera serem “falhas”. Permita-se ser tudo o que já é mas vem resistindo a ser.

Nós não percebemos, mas gastamos tempo, energia e saúde tentando ser aquilo que, acreditamos nós, irá agradar as outras pessoas e fazer com que nos sintamos “bons o suficiente” para sermos amados. Muitas vezes, nossas próprias escolhas profissionais refletem esta luta – quantos de nós não escolhem suas profissões baseados no desejo pelo reconhecimento que vem de uma carreira bem sucedida, pelo dinheiro que é ganho, pelo status social? Todos nós carregamos uma ideia arcaica de insuficiência e buscamos, muitas vezes, compensar esta insuficiência desempenhando profissões que não necessariamente representam nossas verdadeiras paixões.

Alguém que é apaixonado por fotografia decide ser engenheiro, outro que só pensa em viajar decide estudar medicina, uma garota que ama moda vai ser representante comercial da indústria farmacêutica – porquê isso acontece? Na minha percepção, estas pessoas não pensam que podem transformar suas paixões em atividades remuneradas e vão pelo caminho “mais fácil”, que aqui coloco entre aspas porque nada é mais difícil do que passar 8 horas por dia, no mínimo, fazendo algo pelo que não se é apaixonado. Estas pessoas julgam suas paixões pequenas demais, desimportantes demais, insuficientes demais para preencher-lhes a vida. Simplesmente as renegam a segundo ou terceiro plano e se conformam em viver 335 dias por ano esperando que as férias cheguem – décadas e décadas de juventude vão embora apostando que, um dia e se tudo der certo, a aposentadoria vai chegar para que, então, se permitam viver de verdade.

Pois eu te digo: seja abundante de si mesmo para com o Universo, e o Universo não terá outra alternativa a não ser ser abundante de volta com você. Não se economize, não escolha apenas uma parte sua para amar, para mostrar ao mundo, para celebrar a vida. Jogue luz em suas sombras e permita que elas saiam do porão. Leve sua sombra para passear e todas as suas paixões o mais a sério que puder – não comece arquitetando planos de como transformá-las em atividades remuneradas, simplesmente as desempenhe. Simplesmente seja você mesmo, o máximo que puder ser. Ninguém é tão bom em ser você quanto você mesmo e, se você o for cada vez mais, vai ser tão bom em ser quem é que começará a fazer coisas que ninguém mais poderá fazer tão bem quanto você. E um belo dia, antes que possa esperar por isso, as pessoas vão começar a te pagar por isso.

Não acredite em mim. Simplesmente teste. Alinhe-se, e todo o resto será consequência.

Flávia Melissa


Share on Google Plus

Sobre Dica Certa

A Consciência do dever cumprido, infunde em nossa alma uma doce ALEGRIA.