Terapia dos chás – parte 1


O chá é uma bebida muito utilizada, perdendo apenas para a água como a bebida mais consumida no mundo. Isto quer dizer que existe chá de todo sabor, cor e, especialmente, indicação – afinal, quem nunca tomou um chazinho disto ou daquilo para dar um “up” na saúde?!
Antes de qualquer coisa é preciso dizer que os chás feitos do caule ou de partes duras da planta, como é o caso da canela, exigem fervura. Mas a maioria deve ser feita sob a forma de infusão: em primeiro lugar deve-se esquentar a água até pouco antes da ebulição e despejá-la nas folhas de chá bem devagar e do alto, o que ajuda na redução do processo oxidativo. A infusão deve ficar abafada por um período de 2-3 minutos.


Mas, será que os chás funcionam? Ou será que é apenas um mito popular, sem qualquer fundamentação científica? Fomos atrás deste vasto mundo que é a terapia dos chás para contar para vocês o que os cientistas dizem a respeito.
  • Camellia sinensis: o chá produzido a partir das folhas desta planta é, depois da água, a bebida não alcoólica mais consumida no mundo. Não está reconhecendo?
Chá verdeDependendo do nível de fermentação ou oxidação, o chá proveniente das folhas da C. sinensis pode ser classificado em três tipos: chá verde, que não sofre fermentação durante o processamento, mantendo a cor original de suas folhas e sendo muito consumido no mundo; o chá oolong, que é parcialmente fermentado, resultando em um chá verde-preto, e tendo sua produção e o consumo acentuados na China; e o chá preto, cujo processo de fermentação é maior do que o do chá oolong, o que contribui para sua coloração escurecida, além de conferir um sabor característico. Este tipo de chá é mais popular na América do Norte e Europa. Destes, o mais estudado é o chá verde, pois é, de fato, considerado como um alimento funcional.
Estudos recentes confirmaram alguns benefícios importantes para a saúde, em relação ao seu consumo regular, demonstrando que o chá verde tem propriedades funcionais e que, quando incluído na alimentação diária, pode trazer benefícios fisiológicos específicos. Estudos asiáticos demonstram que o consumo diário do chá verde pode estar associado à diminuição dos riscos para doenças cardiovasculares. A medicina chinesa tradicional recomenda há tempos o consumo do chá, pois o considera uma bebida benéfica à saúde, devido às suas propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, anti-hipertensivas, antidiabéticas, anti-mutagênicas (evita câncer) e no controle de peso – muito disto devido às catequinas e flavonoides. Outros estudos in vitro e in vivo sugerem que o chá verde possui, de fato, esta capacidade.
A American Dietetic Association sugere o consumo de 4-6 xícaras de chá verde ao dia (deve ser fracionado ao longo do dia), a fim de obter seus efeitos benéficos. A forma de preparo também deve ser considerada, pois fazer o chá de maneira errada pode fazer com que ele perca grande parte das suas propriedades.
O armazenamento por longo tempo também não é recomendado, pois ocorre perda dos compostos fenólicos. A proporção de água e ervas deve ser: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de erva seca. Outra sugestão é que deve ser consumido entre as refeições para não interferir na biodisponibilidade (absorção e utilização dos nutrientes) de minerais provenientes das grandes refeições.
Alguns estudos recomendam que a ingestão diária deste chá seja em doses moderadas (até 300mg/dia), pois seu consumo excessivo, a médio e longo prazo, pode levar à disfunção hepática, problemas gastrointestinais como constipação e até mesmo, à diminuição do apetite, insônia, hiperatividade, nervosismo, hipertensão, aumento dos batimentos cardíacos e irritação gástrica. Os autores ainda complementam que altas doses podem causar efeitos adversos significantes pelo conteúdo de cafeína, como palpitações, dor de cabeça e vertigem.


  • Illicium verum, o anis estrelado: Em ensaios in vitro, o anetol – principal óleo essencial do anis estrelado – apresentou atividade inibitória contra a Escherichia coli . Em outro estudo, o chá de anis estrelado apresentou atividade inibitória contra 67 cepas de bactérias resistentes aos medicamentos usuais, como Acinetobacter baumannii, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. O anis estrelado possui, portanto, atividade antimicrobiana comprovada. E não é só: estudos comprovaram a potente atividade antioxidante do anis estrelado. Isto quer dizer que ele evita danos celulares causadores de cânceres, envelhecimento precoce, Alzheimer, Parkinson, arteriosclerose e outras doenças.

camomila
  • Matricaria recutita, a camomila: a parte floral da camomila possui óleo essencial, responsável por diversos efeitos farmacológicos, como calmante, anti-inflamatório, analgésico, antiespasmódico, antiflatulento e cicatrizante. O armazenamento por longo tempo também não é recomendado, pois ocorre perda dos compostos fenólicos. A proporção de água e ervas deve ser: para cada litro de água, quatro colheres de sopa de erva fresca ou duas colheres de erva seca. Outra sugestão é que deve ser consumido entre as refeições para não interferir na biodisponibilidade (absorção e utilização dos nutrientes) de minerais provenientes das grandes refeições.

hortelã
  • Mentha s. p., a hortelã: o chá de hortelã é muito indicado para resfriados, tosses, cólicas menstruais e diarreia. O ponto mais estudado (e bem referido) da hortelã é no tratamento de pessoas com síndrome do intestino irritável. Esta síndrome causa dor e distensão abdominal, além de diarreia constante. Vários estudos comprovaram a eficácia da hortelã na redução da dor em portadores de intestino irritável, comprovando seu efeito analgésico. Outra pesquisa apontou os óleos essenciais da hortelã como potentes antieméticos (contra náuseas e vômitos) nos pacientes em quimioterapia. Houve uma redução significativa na intensidade e do número de eventos eméticos nas primeiras 24h, sugerindo que a hortelã é, de fato, um tratamento eficaz.
 

    dill
  • Pimpinella anisum, a erva doce: a erva-doce, ou anis, é comumente utilizada como carminativo (anti-flatulentos) e galactagogue (aumenta ou induz a produção de leite). Existem diversos estudos relacionando a erva-doce a atividades antimicrobianas, antifúngicas, antivirais, analgésicas e anticonvulsivantes, além de atuar como antioxidante, relaxante muscular, neuroprotetor e como protetora do sistema gastrintestinal. Ela também pode reduzir a dependência de morfina e tem efeitos benéficos sobre a dismenorreia (cólicas menstruais) e calores da menopausa nas mulheres. Em pacientes diabéticos, alguns ensaios clínicos mostraram efeito hipoglicemiante (reduz as taxas de açúcar no sangue) e hipolipemiante (reduz as taxas de gordura no sangue).
Texto: Dennia Trindade


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